Flávio Bolsonaro, no debate da Band (18/10/2026), às 20h58
“O governo de esquerda [inaudível] deixou tanta gente na miséria que é difícil, né?”
Ver no vídeo (20:58:34)Veredito
Verdadeiro no essencial, mas impreciso ou sem um contexto que não muda o sentido principal.
O que a checagem encontrou
A fala foi lida como sobre a Argentina, como a Lupa leu: ele responde à pergunta do Lula sobre a pobreza na Argentina de Milei e usa "deixou", de governo já encerrado. A palavra entre "esquerda" e "deixou" não dá para ouvir. Pelo INDEC, Fernández recebeu 35,5% de pobres e 8,0% de indigentes (2º sem. 2019) e deixou 41,7% e 11,9% (2º sem. 2023, semestre que inclui as três últimas semanas de dezembro, já com Milei). Ele omite que, com Milei, a pobreza foi a 52,9% (1º sem. 2024), caiu a 28,2% (2º sem. 2025) e subiu de novo a 32,3% (1º sem. 2026).
O que foi checado
Flávio afirma que o governo de esquerda da Argentina anterior a Milei (Alberto Fernández, 2019-2023) deixou muita gente na miséria. O contexto (resposta à pergunta do Lula sobre a pobreza na Argentina de Milei, o "Milei" que o whisper ouve no trecho inaudível e a leitura da Lupa) indica a Argentina, não o Brasil.
As 3 fontes
Cada fonte foi aberta e lida. O trecho abaixo de cada uma é o que sustenta o veredito.
Fonte 1 · INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censos, Argentina)
Incidencia de la pobreza y la indigencia en 31 aglomerados urbanos. Segundo semestre de 2023 (p. 4) 27/03/2024 · dado oficial“El porcentaje de hogares por debajo de la línea de pobreza (LP) alcanzó el 31,8%; en ellos reside el 41,7% de las personas. Dentro de este conjunto se distingue un 8,7% de hogares por debajo de la línea de indigencia (LI), que incluyen al 11,9% de las personas. (...) 12.300.481 personas; (...) 3.520.174 personas indigentes.”
Fonte 2 · INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censos, Argentina)
Série histórica, Cuadro 1: pobreza e indigência em pessoas, do 2º sem. 2016 ao 1º sem. 2026 (2º sem. 2019 = 35,5; 2º sem. 2023 = 41,7; 1º sem. 2024 = 52,9; 2º sem. 2025 = 28,2; 1º sem. 2026 = 32,3) 24/09/2026 · dado oficial“Cuadro 1. Pobreza e indigencia. Total 31 aglomerados urbanos (...) Pobreza (...) Personas | 30.3 | 28.6 | 25.7 | 27.3 | 32 | 35.4 | 35.5 | 40.9 | 42 | 40.6 | 37.3 | 36.5 | 39.2 | 40.1 | 41.7 | 52.9 | 38.1 | 31.6 | 28.2 | 32.3”
Fonte 3 · INDEC (Instituto Nacional de Estadística y Censos, Argentina)
Incidencia de la pobreza y la indigencia en 31 aglomerados urbanos. Primer semestre de 2026 24/09/2026 · dado oficial“El porcentaje de hogares por debajo de la línea de pobreza (LP) alcanzó el 24,4%. Dentro de estos hogares reside el 32,3% de las personas. (...) Con respecto al segundo semestre de 2025, la incidencia de la pobreza registró un aumento en los hogares y en las personas de 3,4 y 4,1 puntos porcentuales (p.p.), respectivamente.”