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@lulamemesoficial

Flávio Bolsonaro, no debate da Globo (23/10), às 23h32

Esse projeto foi uma emenda de um deputado na Câmara, e eu sou senador: não tenho nada a ver com isso.

Palavras exatas, às 23h32

“e eu sou senador, tá? Não tem nada a ver com a Câmara.”

Veredito

MENTIRA

Falso: contrariado por lei, documento, dado oficial, decisão judicial ou desmentido oficial.

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O que a checagem encontrou

A emenda que tira a marcação de munição foi incluída na Câmara, mas o projeto (PL 3.723/2019) foi para o Senado, e lá Flávio o defendeu. Em dez/2021 ele se disse "declaradamente a favor" do texto; na CCJ do Senado, em 09/03/2022, quando a oposição cobrava manter o rastreio das balas, pediu votar o projeto original, "com tudo que tem direito" (notas taquigráficas). O Estadão Verifica classificou como falsa a negativa dele.

A análise completa

Lula perguntou por que Flávio não aceita a marcação das balas. Flávio respondeu que se tratava de "um projeto de lei que andou lá na Câmara", em que "um deputado apresentou uma emenda", e que ele, "senador", não tem "nada a ver com a Câmara". É verdade que a revogação da marcação foi incluída na Câmara: segundo a Agência Senado, o PL 3.723/2019, do governo Bolsonaro, foi "aprovado com alterações pela Câmara" no fim de 2019, e um dos pontos mais polêmicos é a eliminação da exigência de marcação de munições, prevista no art. 23 do Estatuto do Desarmamento. Mas o projeto seguiu para o Senado, e lá Flávio tomou partido. Em dezembro de 2021, ele escreveu que era "declaradamente a favor" do texto. Na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 09/03/2022, quando a oposição negociava manter o rastreio das munições, ele disse, segundo as notas taquigráficas: "já que acabou o acordo, a minha sugestão é que volte a ser o projeto original [...] com tudo que tem direito". O Estadão Verifica, em 18/10/2026, classificou como falsa a frase dele de que "nunca quis tirar nada disso". O projeto de fato não foi aprovado no Senado, mas isso não muda o que ele defendeu. Por isso é mentira: ele não tem "nada a ver" com a emenda da Câmara só no papel; no Senado, defendeu aprová-la.

O que foi checado

Flávio nega ter relação com a proposta de acabar com a marcação das balas e munições. Diz que ela foi uma emenda de um deputado a um projeto de lei na Câmara e que, como senador, não tem nada a ver com isso. Ele responde ao Lula, que perguntou por que ele não aceita a marcação das balas (a transcrição registra 'raspagem das balas').

As 3 fontes

Cada fonte foi aberta e lida. O trecho abaixo de cada uma é o que sustenta o veredito.

  1. Fonte 1 · Senado Federal (CCJ, notas taquigráficas)

    Notas taquigráficas da 3ª Reunião Extraordinária da CCJ, item 1: PL 3.723/2019 (abre em nova aba) 09/03/2022 · documento
    “O SR. FLÁVIO BOLSONARO (Bloco Parlamentar Vanguarda/PL - RJ. Pela ordem.) - (...) Senador, não adianta querer fazer acordo. A ideia é sempre protelar mesmo. Então, já que acabou o acordo, a minha sugestão é que volte a ser o projeto original, como o senhor tinha feito no início, com tudo que tem direito, sem as concessões, e vamos para o voto. (...) O SR. FABIANO CONTARATO (...) - (...) Uma delas é tirar essa revogação do art. 23, que ele botou aqui e aí ele ressurgiu, que dá rastreabilidade às munições”
  2. Fonte 2 · Agência Senado

    Projeto sobre armas para caçadores e atiradores desportivos aguarda votação (abre em nova aba) 26/07/2022 · documento
    “O projeto foi apresentado pelo Poder Executivo em junho de 2019 e aprovado com alterações pela Câmara dos Deputados no final daquele ano. Entre os pontos mais polêmicos está a eliminação da exigência de marcação de munições. O texto revoga o artigo do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 2003) que exige a venda de munições em embalagens com código de rastreio e a venda de armas com dispositivo de segurança e identificação, gravada no corpo da arma.”
  3. Fonte 3 · Estadão Verifica

    Checamos o debate entre Lula e Flávio na Band (abre em nova aba) 18/10/2026 · agência de checagem
    “O que Flávio Bolsonaro disse: que “nunca quis tirar nada disso” (...). O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. (...) Em 2021, Flávio escreveu em suas redes sociais: “(...) como votar contra algo que sou declaradamente a favor e que a votação sequer ocorreu?” Em entrevista para a TV Globo, no dia 16, Flávio foi questionado sobre os efeitos da proposta para investigações criminais. O candidato alegou que isso é um “detalhezinho””

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