Flávio Bolsonaro, no debate da Band (18/10/2026), às 21h32
“Por quê? Porque não tem ninguém com dinheiro para comprar as suas mercadorias.”
Ver no vídeo (21:32:20) (abre em nova aba)Veredito
Tem parte verdadeira, mas o ponto central está errado, exagerado ou fora de contexto de um jeito que muda o sentido.
É uma das 110 mentiras entre as 315 afirmações checadas.
O que a checagem encontrou
Ele disse isso ao vender a proposta de dar um ano de carência às dívidas de empresas, falando ao dono de um mercadinho 'que agora a sua prateleira está vazia'. A promessa não é checável, mas a premissa é: a de que hoje 'não tem ninguém com dinheiro para comprar'. A parte verdadeira são as dívidas: 28,7% da renda das famílias vai para o pagamento de dívidas (jul/2026, recorde da tabela do BC) e a inadimplência de pessoa física está em 6,0% (ago/2026). O ponto central é exagerado: a massa de renda é recorde (R$ 385,6 bi, +4,8% em um ano) e as vendas do varejo subiram 1,7% em 2026 até agosto, com recorde em março. Supermercados: +1,4% no ano (IBGE). As vendas estão estáveis desde março.
O que foi checado
Flávio afirma que hoje a população não tem dinheiro para comprar no pequeno comércio ('não tem ninguém com dinheiro para comprar as suas mercadorias') e que é por isso que as prateleiras estão vazias.
As 3 fontes
Cada fonte foi aberta e lida. O trecho abaixo de cada uma é o que sustenta o veredito.
Fonte 1 · IBGE (PNAD Contínua)
Taxa de desocupação é de 5,3% e taxa de subutilização é de 13,1% no trimestre encerrado em agosto (abre em nova aba) 29/09/2026 · dado oficial“O rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.777) ficou estável no trimestre e cresceu 3,7% no ano. A massa de rendimento real habitual (R$ 385,6 bilhões) foi a maior da série, com crescimento de 1,4% no trimestre (mais R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% (mais R$ 17,5 bilhões) no ano.”
Fonte 2 · IBGE (Pesquisa Mensal de Comércio)
Em agosto, comércio varejista registra variação de 0,1% (abre em nova aba) 15/10/2026 · dado oficial“Em agosto de 2026, o volume de vendas no comércio varejista registrou variação de 0,1% frente a julho, na série com ajuste sazonal, após queda de 0,8% em julho de 2026. [...] Frente a agosto de 2025, o varejo variou 0,4%, após alta de 1,3% em julho. No ano, o varejo acumula alta de 1,7% e, nos últimos 12 meses, de 1,6%.”
Fonte 3 · Banco Central do Brasil
Nota para a Imprensa: Estatísticas monetárias e de crédito (29.9.2026) (abre em nova aba) 29/09/2026 · dado oficial“Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência avançou 0,2 p.p. no mês, situando-se em 6,0%. [...] O endividamento das famílias atingiu 49,9% em julho, com aumentos de 0,2 p.p. no mês e de 1,1 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, e aumentou 1,4 p.p. em doze meses, situando-se em 28,7%.”