Flávio Bolsonaro, no debate da Band (18/10/2026), às 20h54
“Você está enrolando as pessoas nas dívidas há quatro anos, Lula.”
Ver no vídeo (20:54:47)Veredito
Verdadeiro no essencial, mas impreciso ou sem um contexto que não muda o sentido principal.
O que a checagem encontrou
A afirmação checada representa bem a fala, mas "enrolar" (no sentido de enganar) é opinião e não dá para checar. O ponto de fato, que as famílias seguem endividadas e o quadro não melhorou nos quatro anos, bate com os dados. No Banco Central, o endividamento foi de 49,1% da renda (dez/2022) para 49,9% (jul/2026), e o comprometimento da renda de 27,6% para 28,7%, recorde da série. Na CNC, as famílias com dívida passaram de 78% para 81,7% (set/2026). Falta dizer que houve melhora em 2023-2024 (47,7% em meados de 2024), revertida em 2025-2026.
O que foi checado
Flávio afirma que, nos quatro anos do governo Lula, as pessoas continuaram presas às dívidas, ou seja, que o endividamento das famílias não melhorou.
As 3 fontes
Cada fonte foi aberta e lida. O trecho abaixo de cada uma é o que sustenta o veredito.
Fonte 1 · Banco Central do Brasil
Estatísticas monetárias e de crédito – Nota para a imprensa de 29/09/2026 (texto e Tabela 27: Endividamento e comprometimento de renda das famílias) 29/09/2026 · dado oficial“O endividamento das famílias atingiu 49,9% em julho, com aumentos de 0,2 p.p. no mês e de 1,1 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda ficou estável em relação a junho, e aumentou 1,4 p.p. em doze meses, situando-se em 28,7%. [Tabela 27, Endividamento total | Comprometimento total: jul-2022 49,9 | 26,5; dez-2022 49,1 | 27,6; jun-2024 47,7 | 26,4; jul-2026* 49,9 | 28,7]”
Fonte 2 · g1
Endividamento das famílias cai; inadimplência sobe na alta renda (Peic/CNC de setembro de 2026) 08/10/2026 · veículo de imprensa“A parcela de famílias com dívidas teve um recuo tímido, passando de 82% em agosto para 81,7% em setembro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador vinha em trajetória de alta desde dezembro do ano passado, quando estava em 80,9%. A sequência de aumentos levou o endividamento ao pico de 82,2% em abril e maio.”
Fonte 3 · Valor Econômico
Endividamento das famílias bate recorde em 2022, diz CNC 19/01/2023 · veículo de imprensa“Parcela de 77,9% das famílias se declarou endividada em pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) [...] O cenário delineado de endividamento e de inadimplência no ano passado é bem similar ao registrado em dezembro de 2022. No desempenho mensal da Peic, 78% declararam-se endividados, sendo que a parcela de inadimplentes ficou em 30%”