Flávio Bolsonaro, no debate da Band (18/10/2026), às 20h35
“Como é que você acusa o Bolsonaro de ter iniciado alguma coisa contra o INSS se foram os seus aliados que estavam lá comemorando o fim da CPI do INSS?”
Ver no vídeo (20:35:59) (abre em nova aba)Veredito
Tem parte verdadeira, mas o ponto central está errado, exagerado ou fora de contexto de um jeito que muda o sentido.
É uma das 110 mentiras entre as 315 afirmações checadas.
O que a checagem encontrou
Flávio está certo num ponto: não há prova de que o esquema começou no governo Bolsonaro. A CGU registra salto suspeito de descontos em 2018-2019, e PF e CGU não fixaram a data de início. Mas a fala isenta o governo Bolsonaro, onde o esquema também funcionou: 5 das 11 entidades investigadas assinaram acordo com o INSS naquela gestão, e o relatório da CPMI de Alfredo Gaspar, hoje vice de Flávio, pediu o indiciamento do ex-ministro de Bolsonaro José Carlos (Ahmed) Oliveira, além de Lupi e Stefanutto, da gestão Lula. Obs.: a afirmação checada ('os responsáveis são aliados de Lula') vai além do que ele disse; ele disse que aliados de Lula comemoraram o fim da CPI, trecho que tem checagem própria ('foram os seus aliados que estavam lá comemorando o fim da CPI do INSS', FATO PARCIAL). O valor explodiu em 2023-2024 (R$ 1,3 bi e R$ 2,6 bi estimados, contra R$ 706 mi em 2022).
O que foi checado
Flávio contesta, em pergunta retórica, que o esquema de descontos indevidos no INSS tenha começado no governo Jair Bolsonaro, e sugere que os responsáveis são aliados do Lula.
As 3 fontes
Cada fonte foi aberta e lida. O trecho abaixo de cada uma é o que sustenta o veredito.
Fonte 1 · Controladoria-Geral da União (CGU)
Relatório de Avaliação: INSS, descontos de mensalidades associativas, exercícios de 2023 e 2024 (relatório de set/2024, divulgado em 23/04/2025; cópia publicada pelo Poder360) (abre em nova aba) 23/04/2025 · dado oficial“Dados extraídos da Maciça indicam que os descontos realizados por entidades associativas apresentaram crescimento atípico nos últimos anos, saindo de R$ 536,3 milhões em 2021 para R$ 1,3 bilhão em 2023, com a possibilidade de alcançar R$ 2,6 bilhões até o final de 2024 [...] Em 2018 e 2019, identifica-se um elevado incremento percentual nos descontos de mensalidades associativas relativas a algumas entidades (ABSP, RIAAM BRASIL, ABAMSP, ANAPPS, ASBAPI, CENTRAPE), passando de R$ 41,2 milhões em 2017, para R$ 194,9 milhões em 2018 e R$ 173,2 milhões em 2019.”
Fonte 2 · Aos Fatos
Governo e aliados usam argumentos enganosos para culpar Bolsonaro por fraudes no INSS (abre em nova aba) 19/05/2025 · agência de checagem“No entanto, investigações da CGU (Controladoria-Geral da União) e da PF (Polícia Federal) ainda não determinaram a data de início das fraudes. Há indícios de que o problema remonta ao menos a 2016, no governo do presidente Michel Temer. [...] a falta de ação da autarquia contra fraudes ao longo dos mandatos de Temer, Bolsonaro e Lula contribuíram para a escalada de casos.”
Fonte 3 · Folha de S.Paulo (Folhapress), publicado no Jornal de Brasília
Plano de Flávio Bolsonaro usa escândalo do INSS para desgastar Lula (abre em nova aba) 13/08/2026 · veículo de imprensa“Entre as 11 entidades investigadas pela operação da PF, cinco haviam firmado acordos com o INSS durante o governo Bolsonaro. O próprio relatório final da CPI afirma que, nesse período, decretos e mudanças internas ampliaram o acesso de entidades e fragilizaram o sistema, permitindo “que o esquema de descontos indevidos deixasse de ser uma prática isolada para se tornar um modelo de exploração sistêmica”.”